Na última terça-feira (07/07), o Clube do Fotógrafo de Caxias-CFCX promoveu mais um de seus tradicionais Desafios Impressos, no qual cada associado apresenta anonimamente uma fotografia, dentro de um tema pré-estabelecido, cujo trabalho é fixado nos painéis de nossa galeria para que os demais colegas analisem, debatam e escolham as melhores obras fotográficas expostas.
O tema do Desafio Impresso de Julho de 2026, descrito pelo Diretor de Fotografia, Luís Fernando Barp, foi "Urbano Distópico - em COR", que desperta muita reflexão interpretativa da imagem, depois do natural impacto proposto.
Segundo nosso Diretor, "o tema envolve uma narrativa visual que projeta uma visão negativa, opressiva ou pós-apocalíptica das cidades. Diferente da fotografia urbana comum, que pode buscar o belo ou o cotidiano, aqui o foco é o colapso, o controle ou a solidão tecnológica. A ideia é capturar a cidade como um organismo que falhou, sufoca seus habitantes ou os exclui. O termo 'distopia' sugere o oposto da utopia; é um cenário onde o progresso trouxe consequências sombrias. Na versão colorida, o cromatismo é essencial para definir o 'clima': cores sujas, néons frios (estética Cyberpunk) ou tons terrosos e dessaturados (estética pós-apocalíptica). O objetivo é que o espectador sinta desconforto, isolamento ou uma estranha melancolia futurista".
Extremamente interessante a temática e, diferentemente das belezas que os associados estão habituados a apreciar em nossos painéis da galeria, desta vez as fotos concorrentes trouxeram feiúra, descaso, abandono e um certo brutalismo existente nas cidades que, embora seja do nosso cotidiano, preferimos não ver ou registrar.
Depois de muitas discussões produtivas na análise das fotos, o que sempre leva ao aprimoramento de nosso olhar fotográfico e conduz à reflexão sobre nosso entorno, a fotografia de Milagros Goñi venceu a seletiva dentre as 14 concorrentes, conquistando a maioria dos votos dos associados presentes.
Ela conta que a imagem foi capturada em Belém (PA), no Mercado Ver-o-Peso, após o término de uma comercialização de peixes. "A fotografia captura a distopia urbana provocada pelo descaso com a higiene e com a conservação dos prédios, evidenciando que apesar de a cidade ter tudo para dar certo, o homem segue fazendo do seu habitat um caos".
Parabéns, Mila! A tua fotografia, nesses tons sombrios, denuncia, com muita evidência, um aspecto cultural da maioria das cidades brasileiras que não educa seu povo a se preocupar com o destino de seus "descartes" e tampouco desenvolve uma política de limpeza e conservação de seu patrimônio. É o rastro que costumamos ver depois de qualquer evento de aglomeração de pessoas...
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